Cidades que escutam, algoritmos que silenciam: Quem pode soar na cidade algorítmica?
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Resumo
Este artigo investiga como a transformação de acontecimentos sonoros em dados interfere nas condições de reconhecimento, participação e presença no espaço urbano. A pesquisa adota abordagem qualitativa e teórico-crítica, articulando estudos sonoros, crítica da inteligência artificial, pensamento urbano e práticas artísticas. Propõe-se o conceito de regime algorítmico de audibilidade para designar as condições técnicas, culturais e políticas pelas quais sons adquirem legibilidade e circulação em sistemas de informação. A análise relaciona esse problema às desigualdades territoriais, ao direito de soar e à gentrificação sonora algorítmica, entendida como possibilidade analítica. A leitura comparativa de Electrical Walks, de Christina Kubisch, RATS: Secret Soundscapes of the City, de Jana Winderen, e PROTO, de Holly Herndon, acompanha um percurso entre transdução, expansão perceptiva e aprendizagem de máquina. As obras são compreendidas como contrapartituras algorítmicas, enquanto a noção de ecologias da escuta reúne materialidade tecnológica, território, percepção e formas de vida.
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